Randolfe celebra fim da taxa das blusinhas, mas governo esquece de lembrar quem criou a cobrança

Por olhonamídia
Política & economia | bastidores do poder
maio 16, 2026


Vídeo do senador nas redes tenta vender alívio ao consumidor, mas reacende críticas sobre a taxação imposta pelo próprio governo Lula às compras internacionais

O senador Randolfe Rodrigues decidiu usar as redes sociais para celebrar o anúncio do governo Lula sobre a retirada da cobrança federal em compras internacionais de até 50 dólares. No vídeo publicado em tom publicitário, a narrativa é construída como se o governo estivesse entregando um benefício espontâneo à população, reduzindo o peso no bolso de consumidores e pequenos empreendedores.

Mas existe um detalhe impossível de ignorar no debate político: foi o próprio governo Lula quem criou a chamada “taxa das blusinhas”, medida que provocou forte reação popular desde o início. A cobrança atingiu diretamente consumidores de baixa renda, pequenos revendedores e trabalhadores informais que dependiam de plataformas internacionais para complementar renda ou buscar produtos mais baratos.

A fala de Randolfe tenta vender sensação de alívio financeiro. O problema é que grande parte da população ainda lembra da origem da cobrança. O discurso acaba produzindo uma contradição política evidente: o governo primeiro cria a dificuldade, enfrenta desgaste nacional e depois tenta apresentar a flexibilização da própria medida como gesto de sensibilidade social.

Nos bastidores de Brasília, o movimento já é interpretado como parte de uma estratégia de reconstrução de imagem. A gestão Lula enfrenta desgaste em diferentes áreas, incluindo inflação percebida no consumo popular, críticas sobre aumento de impostos e sucessivas pressões envolvendo promessas econômicas que não produziram o impacto esperado para parte da população.

A repercussão negativa da taxação foi forte principalmente nas redes sociais. Milhões de brasileiros passaram a compartilhar prints de compras abandonadas após o valor final disparar com impostos e taxas adicionais. Pequenos comerciantes relataram queda nas vendas e aumento da dificuldade para competir no mercado digital.

Agora, com a redução da cobrança sendo anunciada em meio ao ambiente pré-eleitoral, aliados do governo tentam reposicionar a narrativa. A mensagem busca aproximar novamente o discurso do “governo popular” da realidade do consumidor comum. Ainda assim, opositores afirmam que a medida chega tarde e funciona mais como reação ao desgaste político do que como planejamento econômico consistente.

O vídeo de Randolfe acabou ampliando justamente esse debate. Ao apresentar a flexibilização da taxa como conquista social sem mencionar que a própria gestão petista patrocinou a cobrança inicial, o senador reacendeu críticas sobre seletividade narrativa e marketing político em torno de medidas econômicas que atingem diretamente o cotidiano da população.

Para muitos brasileiros, o problema nunca foi apenas a taxa. Foi a sensação de que o governo passou a tratar consumo popular como fonte imediata de arrecadação enquanto o discurso oficial seguia defendendo proteção aos mais pobres.

No fim, a discussão ultrapassa o valor de uma compra internacional. O que está em jogo é a percepção pública sobre coerência política, memória do eleitor e confiança em discursos que tentam transformar correção de desgaste em gesto de generosidade institucional.

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